sábado, dezembro 29

ANO VELHO, ANO NOVO - HOMEM VELHO, HOMEM NOVO ,NATAL SEMPRE



Jerónimo Mendonça

O sempre é o mesmo.

Ele que tudo renova de maneira irreversível,
não conhece nada velho e nem deixa nada envelhecer,
de vez que tudo está
sujeito á sua acção transformadora.


Na sua química prodigiosa, renovam-se mundos e seres.

Assim sendo, passado e futuro, estão
no seu eterno presente, e vez, nos é
que passamos pelo tempo, não este por nos.

Homem Novo é aquele que substitui, os hábitos
inferiores pelas nobres
qualidades de carácter; é aquele que abandona
as paixões e os desencantos
de ontem, pelo amor puro, adquirindo assim,
uma nova visão da vida.

O tempo que viu a transformação de
Saulo de Tarso em Paulo e de Zaqueu, o
usurário, em homem de bem, é o mesmo de hoje.

Nem sempre nos temos a
coragem de nos renovar, dia-a-dia na riqueza
do tempo,que é dádiva de DEUS comum a nos.

O ANO VELHO continuará o mesmo para aquele
que não se renova e o ANO NOVO
será dádiva e bênção para todos
quantos se deixa renovar, pela
divina influencia do CRISTO de DEUS

(Texto enviado por Paulo Bosco)


NATAL SEMPRE ...
Jacira

Então é Natal, hoje amanha...
E dia de olhar o próximo com carinho,
estender a mão amiga e despertar o
amor adormecido.

E depois de amanha?
Também e natal Janeiro, Fevereiro, marco...
Dias de amor, paz, harmonia...

Mas e Abril, maio e Junho?
Também e Natal...
Dias de fazer sorrir, compartilhar...

E o que dizer de Julho, Agosto e Setembro?
Também e Natal...
Dias de se fazer presente, ainda que esteja
ausente através da prece

E que tal Outubro, Novembro e Dezembro?
Ora É simplesmente Natal...

Natal sempre!


BIBLIOGRAFIA DE PESQUISAS CIENTIFICAS ESPÍRITAS
Luiz Otávio Saraiva Ferreira


Será sempre bom reflectirmos o que fizemos até hoje,
para que possamos fazer do próximo ano(2008),
um ano diferente,
ou seja, melhor do que o anterior.

Um Bom Ano Novo para todos os
que me lêem e um MUITO obrigada,

Madalena M.C. Gouvêa Lemos

quinta-feira, dezembro 27

quarta-feira, dezembro 26

Enlouqueceram, por João G.L Caiano




Enlouqueceram







Os olhos que nos rodeiam


Marcam-nos, colocam em nós,


Pois o estipular um grau é-lhes mais fácil atingi-los como tal,


A anarquia escondida


E a hierarquia arrogante,


A conversa falsa


E os brasões na estante!


Enlouqueceram







Os olhos que nos rodeiam


Marcam-nos, colocam em nós,


Pois o estipular um grau é-lhes mais fácil atingi-los como tal,


A anarquia escondida



E a hierarquia arrogante,



A conversa falsa



E os brasões na estante!



Meios de defesa


Mais usados agora,


Ser quem somos


São estilos ultrapassados


Acordar com o pé direito


É acordarmos com dinheiro na carteira,


Facto provado e garantido


Para sermos um gajo à maneira;


Hipocrisia, falsidade,


Guerra, xenofobia,


Droga, calamidade...


Onde anda a simplicidade que este povo conhecia,



Ou será que nunca conheceu?



Esqueceram-se de ser crianças,


Nada permaneceu


E claro, há quem ainda o declaram:


Enlouqueceu!...


Julgo ser mais um louco!


Tragam a camisa de forças,


Correntes, cadeados,


Mas mesmo assim será pouco,


Pois eu fiz um P.A.C.T.O*


Como no tempo antigo...


Promessa a ser cumprida


Para o resto da vida, o mundo terá de levar comigo.


*P.A.C.T.O- nome da banda do poeta






João Gouvêa Lemos Caiano

À Procura do Prisma- por João G.L. Caiano



À Procura do Prisma




Depois do choque emocional


Sem saber em que prisma o coloco,


Vivo agora numa inconstante.


À espera cada instante


De sua presença.


Anciosidade imensa


Que combato com todos meus trunfos.


Química visível a olhos nus


Distancia maldita que me conduz




Agora,



Neste exacto momento,



Sentado com posição de reflexão,



Analiso o meu futuro



E chego à conclusão



Que vivo o que a vida me fornece



E, tal oferenda que recebo



Que cresce e mantém -se



É a vantagem de ter descoberto,



O que mantenho encoberto



Pois só os quilómetros



Quebram o que é concreto.









sexta-feira, dezembro 21

Querido Pai Natal





Querido pai Natal,
mais um ano chegou ao final.
Venho aqui fazer-te um pedido,
e sei que será atendido.



Eu desejo que a paz e a harmonia,
estejam presentes no nosso dia-a-dia.
Que a esperança todos os Homens a possam sentir,
Que todas as crianças do Mundo saibam o que é sorrir.



Desejo que o amor e a amizade,
estejam presentes em cada coração.
Que o Homem exerça a caridade,
e que nele habite a gratidão.




Desejo que tristezas e mágoas desapareçam,
que a fome e a guerra não mais existam.
Que o companheirismo e amizade prevaleçam,
e que os preconceitos e diferenças não persistam.



Desejo que a solidão não habite nenhum ser,
que todos os Homens saibam realmente o que é viver.
Que não exista nenhuma pessoa sem tecto,
que todos os Homens possam saber o que é o afecto.



Desejo que saibamos partilhar,
ajudar sem nada em troca pedir.
Que tenhamos a mão sempre estendida para amparar,
para que juntos possamos evoluir.



Desejo que os Homens não olhem apenas para "si",
procurem olhar em toda a sua volta.
Que possam reparar no mal para o extinguir,
que não saibam o que é a dor e a revolta.



Desejo que a todos os Homens saibam respeitar,
que a dor do amor seja substituído por um novo amar.
Desejo que a paz nas nossas vidas venha habitar,
não apenas para este dia de Natal,
mas sim durante todo o nosso caminhar!!!


Lara Pereira(17 anos)

Casa de Saúde de Idanha- Acróstic





Casa de Saúde de Idanha é,

Aonde estou, para

Ser eu outra vez,

A Mulher que sempre fui!...

Daqui, sairei feliz

E pronta, para enfrentar o Mundo lá fora!

Sou sempre muito acarinhada por todos!

Aqui sou amada como ser humano!

Urge o dia que daqui sairei.

Darei amor verdadeiro

E, assim saberei amar-me.

Desta Casa, levo comigo no meu peito, grandes amigas…

E voltarei, para ajudar.

Incapaz será impossível esquecer, o que aqui aprendi.

Doutores, enfermeiros (as) e auxiliares, todos nota dez.

A Irmã Isabel estará sempre no meu coração.

Natal, será o meu renascimento.

Haverá o dia que deixarei os meus “fantasmas” para trás

Amor! É o que daqui levarei…

Dalena GVL

quarta-feira, dezembro 12

SOLIDARIEDADE




Jornal Metro - Entrevista da InfoNature.Org sobre os Sem-abrigo no Natal.

1. Como se envolveu no projecto e quando?



Este projecto teve os seus inícios no verão de 2003.



Nessa altura os coordenadores da organização como eu próprio, percebiam que havia uma grande necessidade de dar mais algum apoio extra a pessoas necessitadas, em especial os sem-abrigo, e, tentou-se criar várias formas de o fazer, obviamente dentro do limite de recursos humanos e monetários, que é sempre o grande problema e que atrasam o desenvolvimento dos projectos.



No entanto o projecto ainda está em constante evolução, visto que os nossos objectivos são ambiciosos e requerem bastante tempo para poderem ser concretizados. Um dos nosso grandes objectivos, é ajudar a criar várias centenas de pequenos núcleos de voluntários, um pouco por todo o país, que de forma semi-independente, possam fazer o mesmo que já fazemos em determinadas zonas da cidade de Lisboa.





2. Ao contrário de várias famílias, vai passar a noite de natal na rua a ajudar quem precisa. Para si, o Natal assim tem mais sentido, porque está a ajudar alguém, ou tem de alguma forma pena de não passar o natal com a sua família?



Na minha opinião e da de muitos voluntários que trabalham connosco, temos realmente essa noção que, o verdadeiro significado do natal não é o consumismo, mas tem sim por base a entreajuda e a partilha de amizade, carinho e amor por outras pessoas.


Não é realmente muito fácil estar-se longe de casa da família nesta altura, mas fazemo-lo de bom grado, visto que há muitas outras pessoas que estão a passar por adversidades gravíssimas e que precisam de todo o carinho, em que um simples sorriso nosso lhes pode encher o coração de alegria.


Normalmente as pessoas consideram a altura do Natal como sagrada para passarem tempo com a família, infelizmente para os sem-abrigo entre outras pessoas necessitadas, o Natal acaba por ser um pouco mais triste que nos outros dias, visto que regra geral, são pessoas abandonadas pela família e amigos, e que por isso obviamente sentem uma grande solidão, o que a nível emocional, psicológico e mesmo social, é uma adversidade muito grande pelo qual eles passam.


São por isso, também denominados como "os excluídos" da sociedade, pela própria sociedade que os exclui de forma discriminatória.



É verdade que o Natal é uma época mais especial e que há muitas pessoas que gostariam de fazer alguma coisa por pessoas carenciadas, sendo que estas pessoas merecem receber alguma atenção, mas a questão é que deveria ser “Natal” todos os dias do ano, em que o altruísmo fosse uma prática do dia a dia.




3. Como reagem os sem-abrigo nessas noites? Imagino que seja uma das melhores noites da vida deles. Estou correcta?

Essa questão é relativa, visto que pode ser uma experiência muito diferente para cada pessoa.



Em certas situações e sentidos, poderá ser uma altura mais favorável, ao por exemplo participarem e conviverem em festas de natal organizadas por várias organizações e dedicadas aos sem-abrigo e outras pessoas necessitadas. No entanto, para a maioria esta altura poderá reforçar ainda mais o sentimento de solidão e desespero, por se sentirem abandonados e acharem que ninguém se importa com eles, por não sentirem mais esperança de poderem ter uma vida melhor, por verem na rua as pessoas com posses a sorrir com as suas famílias enquanto gastam imenso dinheiro com prendas supérfluas enquanto que eles próprios não têm companhia e nem sequer dinheiro têm para uma simples sandes e passam fome, por regra geral serem tratados com imensa indiferença, descriminação e em muitos casos até mesmo repulsa devido à falta de compreensão, consciência e preocupação das pessoas. Pode-se dizer com toda a justiça que devido a todos estes motivos, a dor que estas pessoas sentem dentro de si é incomensurável.




4. Acha que mais pessoas deviam estar sensibilizadas para fazer este trabalho nas ruas?


Sem dúvida. Para além da diferença positiva que fazemos na vida de outras pessoas, considero que fazer voluntariado contribui e muito para o desenvolvimento pessoal e espiritual da pessoa que o faz, visto que o voluntariado é uma forma altruística de trabalho, que não é baseado naquilo que podemos receber, mas sim no que podemos oferecer, a quem mais precisa. No entanto há imensos factores que impedem que isso se concretize e que levem as pessoas a agir, sendo os factores mais importantes a incompreensão, o egoísmo e a inércia. Muitas pessoas só fazem alguma coisa se receberem outra em troca, nomeadamente bens materiais, no entanto as pessoas que ajudam outras pessoas, recebem outras coisas que são muito especiais e que provêm de dentro da alma e do coração, o de sentirem uma alegria e realização verdadeiras de saber que uma outra pessoa pode sorrir e sentir alegria perante o fruto do nosso trabalho.



É uma das melhores alegrias da vida, e quem pratica voluntariado, normalmente sente isso dentro de si.




5. Nessa acção não ajudam só os sem-abrigo, mas também os animais abandonados, certo?


Os animais também merecem a preocupação das pessoas nesta época. Acha que as pessoas não pensam muito nisso?



Sim, tentamos na medida do possível, dar alguma assistência a animais abandonados que encontremos e que precisem de cuidados imediatos. Normalmente daremos alguma comida e em casos mais urgentes por exemplo, devido a questões de saúde, poderemos tentar levar para alguma associação que possam cuidar deles.



Infelizmente, se a nível geral, a realidade da sociedade para com os sem-abrigo já é bastante negativa, para com os animais abandonados é muito pior. Se muitas pessoas nem sequer pensam e se preocupam com a questão dos sem-abrigo, então em relação a animais “não racionais” (não humanos) ainda muito menos, visto que podem olhar para estes seres mais como “coisas”, "objectos" incapazes de sentir dor, felicidade ou outras emoções (o que é absolutamente falso, pois são seres vivos sencientes), do que como seres que merecem todo o nosso respeito.




Por fim, gostaria de salientar que existe mais que riqueza suficiente para terminar com a pobreza em Portugal, e mesmo no mundo inteiro, a questão é que esta está muito mal distribuída, e o motivo pode esclarecer-se essencialmente numa única palavra: egoísmo.



Só através de acções altruístas, é que poderemos mudar o mundo para melhor.




"Seja a mudança que quer ver no mundo" - Mahatma Ghandi

P. Daniel
InfoNature.Org

Tema da Vitória do meu time , o Flamengo!

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terça-feira, dezembro 11

A Depressão vista por quem a sente…




A Depressão vista por quem a sente…

Hoje virei aqui falar sem ser no modo de poesia;

Hoje virei falar da doença que sofro assim como, muitas outras pessoas!

Falar da minha depressão assim para quem não me conhece pessoalmente, mas que percebe a minha dor naquilo que tenho escrito, é mais um passo para mim.

Existe em Portugal e penso que no Brasil também um não querer assumir que esta doença existe e que muitos milhares de pessoas no mundo a têm e, que ninguém está livre de ter tido, ter ou a vir ter!

Espero com este meu texto apenas passo alertar e ajudar o que eu como depressiva (esgotamento cerebral) sofro com ela.

Assim saberemos que não somos os únicos

Tudo começa por não ter cara de doente, até consigo rir, chorar nunca! Riso contagiante até! Visto-me bem, sempre ao de leve, maquiada! As pessoas não entendem e dizem-me “isso és tu que fazes filmes”. E esta frase curta, é como um pontapé no estômago.

Mas meus olhos insistem que caiam lágrimas sem eu as pedir, no meio da rua!

Depois vem a fuga da doença, achando que logo passará e até bebo uns copinhos, fumo cigarros, tudo para esconder a dor que vai no meu peito e aniquilando com o tratamento químico que tenho que tomar todos os dias e que não paro de os tomar! Nada disto piora medicação, penso eu!

Finjo que nada é proibido que a vida contínua, afinal pior não pode ficar!

Minto para mim mesma, apenas…

Nada anda para frente;

O poço cada vez fica mais escuro!

Nada vejo lá para cima.

Ai como dói!

Dói sim e muito, pois perco a noção se vale a pena estar aqui carnalmente e não sentir forças para subir o poço!

Os amigos (poucos) dizem-me que estão me dando cordas para ajudarem-me na subida, mas escada não tem não!

Os braços fraquejam e tenta-se o suicídio!

Vieram a tempo, não me deixaram dormir para sempre!

Esse era o meu desejo!

Morrer sem ter dor!

Não gosto como todos, de hospitais e ainda por cima públicos!

Chorei que me deixassem ir embora!

Mas não me deixaram ir sem ter dor.

Hoje reflectindo em tudo o que sofri e fiz sofrer, a aqueles que mais me amam, decidi!

Não quero mais morrer, quero viver.

Quero ouvir os passarinhos com ouvidos de ouvir, falar com tom alegre, mesmo que aconteçam os trambolhões da vida.

Para isso pedi que me internassem numa clínica psiquiátrica, para ser ajudada convenientemente, pelo já, meu psiquiatra.

Por isso aqui me despeço por uns tempos, desejando um Feliz Natal e um super Ano Novo.

Dalena GVL

P.S. estou levando um caderno novo e canetas, quem sabe não escrevo um bonito poema humildemente!? .: )

How We Met

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Brazão Mazula




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Brazão Mazula nasceu a 18 de Outubro de 1944, em Messumba, Província do Niassa, Moçambique. Frequentou o Ensino Primário na Escola da Missão Anglicana de Messumba de 1951 a 1957, depois de algum tempo na Missão Católica de Massangulo, onde fez encadernação, o l2 Ano da Escola Normal de Formação de Professores Indígenas na Missão Católica do Marrere, em Nampula, e o Colégio-Liceu Vasco da Gama, de Nampula, tendo concluído os estudos secundários no ano lectivo de 1963/64. Graduou--se em Filosofia e Teologia, entre 1964 e 1971, no Seminário Maior de S. Pio X de Lourenço Marques. Em 1973, é ordenado sacerdote pela diocese de Vila Cabral, hoje Lichinga. De 1973 a 1976 deu aulas no Colégio-Liceu de S. Teotónio e foi Reitor do Seminário Menor de Cuamba e mais tarde Director daquele Colégio. Depois de se ter laicizado do sacerdócio, tornou-se funcionário do Ministério da Educação e Cultura, exercendo várias funções, de 1976 a 1988, altura em que obteve uma bolsa de estudos, no Brasil, para o mestrado em Ciências da Educação e, em 1993, obtém o grau de Doutor (PhD) em História e Filosofia da Educação, pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), com a classificação máxima de «A, com distinção e louvor». No seu regresso a Moçambique, em 1994, foi indicado por consenso e unanimidade das forças políticas para presidir à Comissão Nacional de Eleições, que dirigiu e organizou as primeiras eleições multipartidárias, de Outubro do mesmo ano. Actualmente, é professor na Faculdade de Ciências Sociais e Reitor da Universidade Eduardo Mondlane de Maputo. Em 1995, publicou o livro Eleições, Democracia e Desenvolvimento. Está a preparar outro livro sobre A Democracia Contraditória em Moçambique.

Educação, Cultura e Ideologia em Moçambique: 1975-1985 (em busca de fundamentos filosófico-ideológicos) é tema da tese de doutoramento, defendida pelo autor na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Brasil.
A partir do problema das elevadas taxas de reprovações, repetências e desistências que aflige a sociedade e o Ministério da Educação de Moçambique na sua experiência de organização e funcionamento das Escolas entre 1975 e 1985, o autor reflecte, em nível macro-educacional, sobre as próprias bases teóricas que fundamentam o Sistema Nacional de
Educação. Parte de duas constatações: 1) a da possibilidade de interferência significativa de aspectos culturais no processo educativo e 2) a de que esse processo se mantém bastante ideologizado. Daí a relacionação entre a Educação, a Cultura e a Ideologia. Confirmadas essas constatações, o autor reflecte então sobre os fundamentos filo-sófico-antropológicos para uma possível proposta de uma educação racional, criativa, influenciando deste modo a própria política e as estratégias educativas numa sociedade culturalmente diversificada. Esse processo de reflexão e de busca de elementos decorre simultaneamente.
Agradecimentos

À CNPq, à CAPES e à Reitoria da Universidade de São Paulo, do Brasil, pela concessão regular da bolsa de estudos. À CCINT/USP e à COSEAS, pelo alojamento e integração na Universidade e no Brasil. À Faculdade de Educação, particularmente ao Departamento de História e Filosofia da Educação, pelas condições de estudo e de pesquisa que sempre me ofereceram, para que eu realizasse com o maior rigor científico
possível o meu trabalho. Destaque particular à Comissão de Pós-Graduação da Faculdade e à respectiva Secretaria pela prontidão e gentileza em me atender todas as vezes que solicitei os seus serviços. À DANIDA/Dinamarca, que me proporcionou alguma ajuda financeira, enquanto pleiteava uma bolsa para prosseguir o meu doutoramento.

Menção especial ao Prof. Dr. António Joaquim Severino, que, com sabedoria e paciência, me assegurou uma orientação científica rigorosa, aliando-a com a amizade e a disciplina.
Aos Ilustríssimos Prof.ª Dra. Maria Cecília Sanches Teixeira, Profª. Dr.ª Selma Garrido Pimenta, da Faculdade da Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), Prof.ª Dr.ª. Elisabete Sa
mpaio Prado Xavier, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e Prof. Dr. Sónia Ribeiro de Souza, da Universidade Paulista (UNIP), que, com o tutor, constituíram a Banca Julgadora, pelas suas observações, criticas e contribuições encorajadoras, dadas durante a defesa da tese de doutoramento.
Aos Colegas Brasileiros, pelo acolhimento e amizade.
Ao Ministério da Educação de Moçambique, pelo acompanhamento permanente à minha estadia no Brasil.
Ao meu amigo Miguel Buendia, com quem passei discutindo os nossos projectos de pesquisa e pelo encorajamento em horas difíceis.
A minha Mãe, aos meus Irmãos que, de longe, estiveram sempre comigo, e particularmente à
Emanuelita, que, nesses cinco anos, cuidou da minha filha Francisca, com carinho e paciência.
Aos Missionários da Consolata em cujo convívio despertei mais para a busca da verdade e serviço do Povo. Ao Padre Dr. Francisco Lerma Martinez, pondo-me sempre a par dos acontecimentos do País e pelas observações ao meu projecto de pesquisa.
Aos amigos da CROCEVIA de Roma que, através de projectos de cooperação na área da Educação, me introduziram na cooperação internacional.
Ao Dr. Álvaro Neves da Silva, Delegado da União Europeia em Moçambique, ao Prof. Dr. Armando Trigo de Abreu, Director Executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento de Lisboa, ao Dr. Lourenço do Rosário, Director do Fundo Bibliográfico de Moçambique
e Professor da Faculdade de Letras da Universidade Eduardo Mondlane, de Maputo, que me encorajaram a publicar a tese, ajudando-me a conseguir um financiamento junto da União Europeia. À União Europeia e ao Fundo Bibliográfico de Moçambique, que tornaram possível a publicação desta obra.
À Dr.ª Maria Natália Folgado e ao Dr. Júlio Meneses Rodrigues Ribeiro, pela paciência e atenção, na revisão do texto final. À Sra. Edite Lemos, pelos seus bons serviços de dactilografia.

HUMANIDADE






HUMANIDADE


Ao conjunto dos seres humanos como um todo dá-se o nome de Humanidade, Homem ou espécie humana.


De uma forma abstracta, Humanidade também é uma a expressão que sintetiza as características partilhadas por todos os humanos, com especial ênfase na capacidade do Homem como ser compreensivo e benevolente.


O conceito de Humanidade leva-nos à noção de solidariedade estendida a todas as pessoas, frequentemente sintetizada na palavra "humanitário".

Em 1854 o filósofo francês Augusto Comte criou a Religião da Humanidade, com o objectivo de constituir um sistema religioso completamente humano, afastado da teologia e da metafísica, pregando o amor entre os homens, a acção esclarecida sobre o mundo, a natureza e o homem e, acima de tudo, o desenvolvimento do altruísmo e da solidariedade.


Pode-se considerar também que a forma genérica de referir-se à humanidade como "o homem", "Homem", é uma forma de machismo e primazia do sexo masculino, em voga desde o declínio das culturas que primavam o sexo feminino e a fertilidade, como extrai-se, entre outros, de Fritjof Capra em "O Ponto de Mutação"

ALTRUÍSMO Altruísmo palavra percebida muitas vezes como sinónimo de solidariedade, a palavra altruísmo foi criada em 1830 pelo filósofo francês Augusto Comte para caracterizar o conjunto das disposições humanas (individuais e colectivas) que inclinam os seres humanos a dedicarem-se aos outros.


Esse conceito opõe-se, portanto, ao egoísmo, que são as inclinações específica e exclusivamente individuais (pessoais ou colectivas).


Além disso, o conceito do altruísmo tem a importância filosófica de referir-se às disposições naturais do ser humano, indicando que o homem pode ser - e é - bom e generoso naturalmente, sem necessidade de intervenções sobrenaturais ou divinas.

Na Doutrina Comtiana, o altruísmo pode apresentar-se em três modalidades básicas: o apego, a veneração e a bondade.


Do primeiro para o último, sua intensidade diminui e, por isso mesmo, sua importância e sua nobreza aumentam.

O apego refere-se ao vínculo que os iguais mantêm entre si; a veneração refere-se ao vínculo que os mais fracos têm para com os mais fortes (ou os que vieram depois têm com os que vieram antes); por fim, a bondade são os sentimentos que os mais fortes têm em relação aos mais fracos (ou aos que vieram depois).


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Humanidade

Policiais estariam divulgando na internet imagens de mortos em operação no Alemão, segundo ex-blog de Cesar Maia

fotos do terror

Publicada em 10/12/2007 às 17h38m Uma das fotografias mostra material que teria sido apreendido na operação do Alemão




Gabriel Mascarenhas e Patrícia Sá Rêgo - O Globo Online

RIO - O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, publicou nesta segunda-feira em seu ex-blog (informativo enviado para uma lista de e-mails) uma sequência de mais de 20 fotografias de cadáveres e de material apreendido pela polícia tiradas, supostamente, durante uma mega-operação policial no Complexo do Alemão , ocorrida em Junho, que deixou 19 mortos . As imagens, segundo o prefeito, estariam sendo divulgadas por policiais pela Internet. Elas mostram corpos ensanguentados, com marcas de tiros e olhos revirados, retorcidos ao chão. Pelo menos outras duas páginas na Internet também trazem o registro da operação.


O GLOBO ONLINE optou por não divulgar fotos dos cadáveres, por julgar que as imagens não acrescentam informações à reportagem.

A Corregedoria da Polícia Militar vai abrir uma investigação para apurar o suposto vazamento das fotografias. O primeiro passo será ouvir o comandante que chefiou a ação e checar se houve participação de policiais militares na divulgação das imagens. De acordo com o corregedor, coronel Paulo Ricardo Paul, caso haja indícios de conivência de policiais militares na divulgação das fotografias, será aberto um inquérito policial militar.

" A divulgação de qualquer imagem de uma operação policial é ilegal "

- Vamos investigar. A divulgação de qualquer imagem de uma operação policial é ilegal. Muitas vezes, elas são fotografadas para servir como material de instrução e aprimoramento de novas ações, mas nunca podem ser usadas irresponsavelmente. Se aparecerem indícios de que algum policial militar tirou aquelas fotos ou as divulgou sem autorização, vamos abrir um inquérito e punir. Quero saber quem tirou as fotos, quando tirou, em qual operação e quais os batalhões que participaram dessa ação - detalhou o coronel, ao tomar conhecimento das imagens pela equipe de reportagem.

O GLOBO ONLINE entrou em contacto com Cesar Maia por e-mail. O prefeito reiterou que as imagens foram enviadas por policiais, de quem, segundo ele, costuma receber informações pela Internet. Cesar contou ter repassado o material para as 24 mil pessoas que constam na sua lista de contactos. Perguntado se é a favor de que fotos como essas tornem-se públicas, ele se resguardou: "Numa rede fechada é diferente de um meio de comunicação".

O comandante do 16º BPM (Olaria), coronel Marcus Jardim, participou da operação no Alemão e alegou que as fotografias podem ter sido tiradas pela imprensa.

- Às vezes é até necessário a Polícia Militar fotografar, mas, nessa operação, até aonde eu sei, agentes da PM não fotografaram nada - afirmou o coronel.

Relatório do governo federal apontou indícios de execuções sumárias

Na ocasião da mega-operação, a polícia foi criticada por instituições de defesas dos direitos humanos, que denunciaram indícios de execuções sumárias. Em novembro, uma análise feita pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República nos laudos periciais dos 19 mortos confirmou a acusação. O relatório, de 15 páginas, foi contestado pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e por três peritas estaduais. O documento foi elaborado por um órgão do governo federal, embora ministros e até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenham elogiado as ações policiais no Rio.

Depois da divulgação do laudo, o relator da ONU para assuntos de execução sumária, Philip Alston, esteve no Brasil para apurar as mortes no Alemão. Ele foi à sede do SOS Comunidade, onde conversou com 10 parentes de pessoas da favela que morreram durante a ocupação do Complexo. À época da visita do relator ao país, o governador do Rio teria se recusado a receber Alston em sua passagem pelo Rio de Janeiro, apesar de a assessoria do governo ter dito que, na verdade, Cabral não teria recebido qualquer pedido de audiência com Philip Alston.

Em entrevista ao jornal "O Globo" no último domingo, o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, condenou o alto número de mortes em operações da polícia do Rio e disse que já conversou sobre isso com Cabral.

- Fizemos uma perícia alternativa (caso do Complexo do Alemão) e foi detectado tiro na nuca. Isso é execução. O governador e o secretário de Segurança Pública, em vez de se irritarem, poderiam dizer que temos duas conclusões diferentes e que, então, vamos fazer uma terceira, por algum organismo internacional. Aí não tem choro - disse.

Numa era dominada pelo consumismo e pelo hedonismo, há tempo para parar, pensar e dar um outro sentido à vida?

Numa era dominada pelo consumismo e pelo hedonismo, há tempo para parar, pensar e dar um outro sentido à vida?

A fé em Deus e na Igreja empalidece.


A procura de novas crenças assume múltiplas faces.

Mas nem sempre se revela um caminho fácil e de resultados instantâneos como se espera.


Por Clara Soares

Era mais uma noite fria de Dezembro.


Catedrais do consumo à pinha, veículos em fila, caras inexpressivas ou ansiosas, evidenciando cansaço após mais uma jornada laboral. Raro era o transeunte que não tivesse passos apressados, desdobrando-se em frenéticas entradas e saídas de lojas, tendo em mente apenas um objectivo: as compras natalícias.

Pela primeira vez na vida, decidi não cumprir o ritual e optei por deixar o estado de sítio em que a capital se transforma a partir do meio do mês – e que nem as belas iluminações que ornamentam as ruas conseguem disfarçar – e tirar uma semana de férias. Na véspera da partida comprei algumas lembranças no comércio local e rumei à Costa Nova, em Aveiro. Ali, instalei-me no centro de espiritualidade Jean Gailhac, para um retiro de silêncio e oração orientado pelo padre jesuíta Vasco Pinto Magalhães. Nunca tinha feito nada do género, mas após um ano particularmente exigente a vários níveis – profissional, familiar e pessoal – ousei aventurar-me, a convite de uma amiga, por um caminho bem diferente do proposto pela sociedade de consumo.

Foi há dois anos e ainda hoje me lembro do bem que me fez permitir-me parar, desligar do bombardeamento informativo e das rotinas a que sempre estive habituada nesta quadra. A minha curiosidade pela condição humana e propensão para o questionamento conduziram-me até à psicologia e ao jornalismo que, a meu ver, colidiam muitas vezes com os pouco palpáveis meandros da fé.

Apresentei-me como leiga e entreguei-me à experiência do retiro. Os primeiros dias foram difíceis. As caminhadas fora do centro – diariamente percorria alguns quilómetros a pé pelas dunas, junto ao Atlântico, em diálogos internos nem sempre serenos –, os almoços e jantares caseiros ao som de música clássica e o facto de me sentir acolhida entre os outros participantes do grupo, nas orações e palestras, não atenuaram a sensação de travessia no deserto. Era como se me tivesse despido de parte da minha personalidade e extensões materiais que a sustentavam (incluo aqui o computador com ligação à net, o telemóvel, o carro e o leitor de CD e a estação de rádio que sempre me acompanha em dias ditos normais).

Para além das descobertas que fiz, sublinho a capacidade de olhar para os Evangelhos com outra abertura e a possibilidade de abraçar em mim vulnerabilidades e forças, assistindo ao processo de reequilíbrio silencioso entre elas. Aprendi naqueles dias a aceitar o que não controlo no quotidiano e a confiar nos trilhos da vida, apesar de nem sempre os compreender na totalidade, por não serem feitos à medida do meu querer. Expandi as minhas próprias fronteiras e mais consciente do valor de prazeres simples que tomava como garantidos e sem valor.

Foi neste contexto que assisti ao fenómeno editorial de sucesso do ano, o livro O Segredo (editora ASA), da produtora australiana Rhonda Byrne. No recém-lançado formato em DVD no nosso país, em nova quadra natalícia, a autora apresenta uma ficção documental ao estilo do filme Código Da Vinci (inspirado no livro de Dan Brown), onde os depoimentos de nomes sonantes da filosofia, da física e da psicologia se misturam com cenas simuladas, fruto dos testemunhos de gente que venceu na vida, desde doenças a condições de escassez material e relacional. Pelo meio destacam-se citações famosas de pensadores da História, de Newton a Buda, passando por trechos da Bíblia e ensinamentos de Platão. E um conceito unificador que a empresária espiritual Rhonda diz ter sido a sua grande descoberta: a lei da atracção.

Em que é que este livro se demarca da onda de obras de auto-ajuda que proliferam no mercado e enchem as prateleiras de quem os compra? O que tem de especial este conceito, para atrair milhões de pessoas em todo o mundo (O Segredo circula em mais de 33 países e as vendas não param de crescer) e ser a base de centenas de workshops promovidas por empresários, terapeutas de medicinas complementares e grupos da Nova Era (correntes esotéricas, em voga na última década)?

Espiritualidade chega às empresas
Uma pesquisa coordenada por Arménio Rego, do departamento de Economia da Universidade de Aveiro, intitulada Espiritualidade nas Organizações, Positividade e Desempenho (1), sugere, com base numa amostra de 254 trabalhadores de empresas brasileiras, como os factores “espirituais” explicam o empenho organizacional e a produtividade.
As dimensões estudadas que promovem o desempenho são:
Sentido de comunidade na equipa
Alinhamento da pessoa com os valores da empresa
Sentido de préstimo à comunidade
Alegria no trabalho
Oportunidades para a vida interior
Este e outros estudos recentes atestam a necessidade que se faz sentir, cada vez mais, no mundo competitivo e tecnocrático, de encarar o indivíduo como ser racional, mas também emocional e espiritual.

(1)Revista Comportamento Organizacional e Gestão, 2007, vol. 13, n.º 1, 7-36.
Comecemos pela abertura do filme: “Eu estava a atravessar uma crise financeira, o meu casamento tinha chegado ao fim, a minha vida estava um caos.” Na primeira pessoa, Rhonda conduz o espectador pela sua viagem em busca de um sentido para a vida. O ponto de viragem acontece quando lhe chega às mãos um livro com mais de 100 anos intitulado A Ciência de Ficar Rico. A partir daí, tudo muda e num curso que ela decide frequentar sobre este tema, conhece as pessoas que viriam a fazer parte do projecto, que retoma ideias de pensadores clássicos e referências das principais tradições religiosas para mostrar que todos falam do mesmo segredo: se pedirmos ao universo – feito de energia – aquilo que queremos, ele funcionará a nosso favor.

Em resumo, pode ler-se no site oficial, “cada ser humano tem a capacidade de transformar fraquezas e sofrimento em força, poder, paz, saúde e abundância”.

Tratar-se-á do poder da fé? E em que plano? De acordo com este livro, ela reside no poder da mente, que pode sintonizar-se com determinados comprimentos de onda: pensar coisas negativas é caminho certo para as atrair no quotidiano. Porém, se a mente se focar noutra vibração, tudo pode mudar, desde que se acredite. E não é preciso seguir qualquer religião, tudo depende do próprio e da descoberta da lei da atracção. Os esforços para obter da autora algumas respostas às minhas perguntas, ao longo de algumas semanas, foram vãos (cheguei a questionar-me se tal fracasso era devido à minha incapacidade de acreditar o suficiente para ter uns minutos de tempo de antena).

Nova questão: como lidam as pessoas com esta mensagem? Será que conseguem o carro ou a casa da sua vida, o parceiro ideal, o emprego certo? E caso o universo não atender ao pedido, por mais que se acredite nele?

Uma simples busca na Internet conduziu-me a inúmeras propostas de cursos para particulares e empresas, também em Portugal. Alexandra Almeida, de 34 anos, formadora e técnica de coaching no Espaço Dharma Vida (www.dharmavida.com), em Loures, recorre ao livro e ao filme como ferramentas formativas nos cursos de meditação dirigidos a grupos.

Segredo é uma reciclagem de conhecimentos antigos que há muito são usados para ajudar as pessoas a concretizarem a visão que as realiza, o seu potencial.” Porém, adverte que nem tudo se resume à lei da atracção, “há todo um sistema de crenças que condiciona o processo, a capacidade de acreditar em algo que ainda não se manifestou mas tem condições para tal”. Não desistir é o lema. Visualizar, focar a mente e estar centrado e relaxado são ingredientes essenciais para atingir objectivos de vida, sejam profissionais (nas empresas) ou pessoais (nos relacionamentos e metas individuais), como atestam os estudos sobre inteligência emocional do psicólogo americano Daniel Goleman, e de inteligência espiritual, baseados nas investigações da física e filósofa americana Dana Zohar.

Esmerinda Ferreira, de 46 anos, frequentou um destes cursos numa altura em que atravessava uma crise financeira e pessoal e a mensagem não podia vir em melhor altura. A antiga catequista, que se revê na filosofia cristã mas não é católica, diz ter-se encontrado a si mesma quando começou a pôr em prática os princípios da psicologia positiva no quotidiano, focando-se no poder da intenção, naquilo que se quer (em vez daquilo que não se quer). “Para mim, todo o universo é Deus e Deus é energia. O importante é sintonizar-me com ela.” Hoje tem uma nova carteira de clientes e uma nova empresa e deve-o, assegura, ao processo de autoconhecimento. “Estou convicta de que o sucesso das obras de auto-ajuda como esta tem a ver com as mudanças sociais, em que a família e o trabalho deixaram de ser uma fonte de realização; é preciso que cada um descubra o seu próprio modelo de estar na vida.”

Estes princípios encontram-se ainda nas correntes espirituais não religiosas como a psicologia transpessoal e a astrologia psicológica. Aqui, as filosofias ancestrais servem de base a novas linhas de pensamento associadas aos estudos sobre consciência.

O Segredo…
E as suas revelações

O best seller deve a sua popularidade ao conceito gráfico apelativo e ao formato livro+DVD, que permitem uma leitura fácil e pronta a servir. Conheça de perto as premissas da lei da atracção.
Todo o universo é feito de energia e se se alinhar com ela pode usá-la a seu favor
Cada pensamento tem uma frequência energética
Quem fala de doenças tem doenças, quem fala de abundância e prosperidade tem abundância e prosperidade
Cada pessoa é como íman – atrai e torna-se naquilo que pensa e sente
Você cria a sua realidade (para o melhor e para o pior)
Estar grato pelo que tem é o primeiro passo para enriquecer a sua vida
Decida o que quer, acredite que pode tê-lo, que o merece e que é possível para si
Aprenda a parar e a focar a sua atenção no que quer, em vez daquilo que não quer
Os seus pensamentos são dignos de si? Se não, agora é o momento de mudá-los.
Juliana Estevez, de 29 anos, psicóloga e astróloga na Essência do Ser (http://essenciadoser.net/), em Carcavelos, explica porque é que a quadra natalícia este ano assume contornos decisivos nos planos da consciência individual e colectiva. “Os últimos meses de 2007 são marcados por uma conjunção dos planetas Júpiter e Plutão a 28 graus de Sagitário (a última vez que ocorreu foi em 1023); esta localização é identificada como o centro da nossa galáxia e a conjunção afecta por isso toda a humanidade.” Na prática, este Dezembro traz consigo a oportunidade de transformarmos crenças e valores profundos, de intervir intencionalmente naquilo a que chamamos destino. Por isso não estranha o sucesso de O Segredo, na medida em que “mostra como podemos ser co-criadores das nossas vidas e, simultaneamente, da realidade do planeta”.

De volta à questão central, a fé e porque necessitamos de acreditar e confiar em algo maior que nós – seja num grupo, numa ideologia ou numa religião –, ela revela-se quase sempre em períodos críticos, embora haja quem tenha um trajecto linear. É o caso de Carlos Gil, de 43 anos e técnico comercial no concelho de Cascais, que diz ser um homem de fé e prendado pela vida desde que se conhece. Nascido em Luanda e filho de pais católicos, assume a sua religiosidade sem preconceitos e faz peregrinações regulamente (www.peregrino.org). As duas ou três caminhadas que faz anualmente são uma forma privilegiada de religar-se com o divino. “Se Deus existe, é quando caminho que estou com ele.”

Da sua história de vida, recorda com especial atenção os períodos de crise, no pós-revolução, quando a família veio sem nada para Portugal. “Passámos do 80 para o 8, deixou de haver mordomias e luxos, não tínhamos sequer mobília, mas a minha mãe fazia de tudo uma festa e foi com ela que aprendi que a alegria de viver não tem directamente a ver com o que nos acontece.” Carlos lembra ainda os lugares por onde já peregrinou: Peru, Angola, Santiago de Compostela e Fátima. “Pratico o chamado voto de pobreza, embora reconheça o prazer das coisas mundanas. Levo uma vida simples com a minha família e não a sacrifico por nenhum trabalho do mundo.”

Em sua casa não se vê televisão porque “passa uma imagem distorcida de um mundo violento, triste e sem alma”. A este propósito, refere um Natal remoto, em que se esqueceu das prendas para os dois filhos no carro e se levantou de manhã para ir buscá-las, dando com o veículo assaltado e pedaços de papel de embrulho no chão. Contou aos filhos que um senhor tinha levado os presentes, ao que eles responderam: “Se calhar o filho desse senhor não tinha prendas e assim vai ficar contente.” Nada o poderia ter deixado mais comovido do que aquela atitude dos filhos, onde ele se revê com gratidão. A sua máxima consiste em não estabelecer condições para ser feliz, até porque “o que é significativo nas nossas vidas acontece por acaso e há que aceitá-lo sem criar necessidades desproporcionadas”.

Paulo Borges, de 47 anos, presidente da União Budista Portuguesa e membro da comissão coordenadora da recente visita do Dalai Lama a Portugal, partilha de uma visão semelhante e vai mais longe quando afirma que “a tecnologia e a comunicação global podem distrair-nos e cultivar falsas expectativas, mostrando-se impotentes para resolver as nossas inquietações fundamentais”. Na perspectiva budista, a fé não é a adesão emocional a uma doutrina mas antes uma confiança que conduz a libertação do sofrimento e ao despertar da consciência para a realidade profunda das coisas. “Tal é possível através da prática da meditação e da disciplina ética.” E se esta tomada de consciência e despertar para outros níveis de conhecimento é mais provável em períodos específicos da vida – “para a maioria das pessoas, só o sofrimento leva à busca de novos horizontes” – nem sempre tem de ser assim: “É fundamental não estarmos dependentes dos ciclos psicobiológicos para descobrir a nossa natureza mais profunda.”

Não é propriamente uma novidade que “a vida é difícil” (como afirma o psiquiatra católico americano Scott Peck no seu livro O Caminho Menos Percorrido). O dado novo, na sociedade globalizada, é o número crescente de ateus que tem feito notícia em jornais de referência como o The Sunday Times ou a Wired (esta publicação dedica um número inteiro ao tema). No universo tecnológico, que idolatra a ciência e o conceito de controlo pessoal, a dúvida sistémica é premiada. Olhando este fenómeno de perto, chega-se à conclusão que os ateus também têm convicções: segundo eles, os crentes são crédulos e não aceitam a finalidade da morte.

Espiritualidade virtual
Circular nas auto-estradas da informação e descobrir pontos de paragem obrigatórios é um ritual que cada vez mais crentes não dispensam.

Sugestões de pesquisa on-line:
Rosário digital
Retiro eucarístico virtual

Sites a conhecer:
http://www.sacredspace.ie/
http://www.pray-as-you-go.org/

Vantagens:
Dispensa deslocações (ideal para doentes crónicos e idosos)
Escolha do timing para o ritual
Partilha de conhecimentos e experiências (blogs, fóruns)

Desvantagens:
Menos oportunidade de participar in loco nos eventos de grupo.
Entre o fundamentalismo ateu e religioso, há quem prefira as águas tranquilas da prática meditativa e os caminhos discretos da oração, no aconchego do lar, fazendo da Internet um aliado seguro e uma porta de acesso a outras pessoas com idênticas motivações em qualquer parte do mundo.
Contudo, o sentimento de solidão acompanhada é hoje perceptível nas grandes cidades, símbolos da razão, da dispersão e do individualismo. Talvez por isso mesmo, nas horas de maior incerteza, muitos reencontrem algum conforto em aprofundar raízes, acolhendo a tradição. Na sociedade de consumo, chega uma altura em que descobrimos que o Pai Natal não existe, mas a expressão “se Deus quiser” continua viva na sociedade laica portuguesa, marcada por um – ainda forte – pendor religioso.

“Para o cristão não há acaso, estamos de tal forma acompanhados e protegidos que essa companhia divina nunca nos abandona e suaviza grandemente os golpes que a vida inflige a todos nós.” Quem o afirma é Maria Armanda Saint-Maurice, 62 anos, jornalista e teóloga em vias de doutoramento. A seu ver, a fome e a sede espirituais imperam. Mas desiluda-se quem espera do cristianismo uma “receita fácil” ao estilo das fórmulas de auto-ajuda.

Para o cristão tudo depende de uma decisão que implica a fé, a qual é, simultaneamente, dom e desejo. No plano humano, o desejo e a esperança reorientam a vida, direccionam a pessoa para o contacto com o sobrenatural. E a esse contacto o cristianismo chama “estado de graça”, em virtude do qual a carga do quotidiano se torna comparativamente “leve”, como diz Jesus: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e a minha carga é leve” (Mt 11,29). A teóloga afirma: “O cristianismo é um caminho iniciático que obriga a sair de si em direcção ao Outro, uma viagem em busca da auto-revelação do ‘mistério sagrado’ que é o próprio Deus.”

Francisca Martins, de 39 anos, empresária na área da comunicação e mãe de três crianças, descobriu recentemente essa presença concreta que, como católica praticante, nunca tinha experimentado antes. O divórcio e as alterações profissionais que atravessou nos últimos anos deixaram-na vazia e perdida e teve necessidade de encontrar sentido no aparente absurdo que estava a viver. “Parei, decidi tirar um tempo para me centrar e rezar, abrir--me e confiar-me a uma presença superior e de amor que toma conta de mim e me deixa serena.”

O poder da oração na saúde e na qualidade de vida tem sido amplamente demonstrado por investigações científicas, mas a forma como actuam tais mecanismos, inclusivamente na remissão espontânea de condições patológicas graves, continua a ser um enigma.

Seja pela porta das religiões monoteístas, das panteístas ou das filosofias espirituais inspiradas na moderna física quântica, a fé e a capacidade de acreditar – sem ter de ver para crer – parecem estar na base daquilo que investigadores (como o psicólogo americano Mihaly Csikszentmihalyi) designam por experiência óptima ou de fluxo: “Um estado em que a pessoa desfruta verdadeiramente de alguma coisa ou em que se concentra activamente numa tarefa, a ponto de se esquecer de tudo o resto.”

Meditar, contemplar, rezar, ainda que em planos diferentes, podem representar a tal luz ao fundo do túnel (leia-se entusiasmo e energia extra), graças à qual se movem montanhas de uma forma subtil.


Quem somos, de onde vimos e para onde vamos
segundo Isabel Leal

1 A fé move montanhas e o marketing move tudo.

A fé é intrínseca ao homem e o marketing uma espantosa construção humana. Porque o é, aproveita tudo o que pode, incluindo a nossa condição de seres sempre em busca de sentido para produzir, e reproduzir, cadeias de significações, algumas das quais se constituem como crenças tão enraizadas que podem merecer o nome de fés.

2 Provavelmente porque fomos todos muito pequenos e muito dependentes de outros que pareciam saber tudo, ter todas as respostas e manter em controlo um mundo incompreensível, habituámo-nos a acreditar que haveria sempre quem cuidasse de nós, quem tivesse o poder de mandar embora os fantasmas que assombram os dias e nos mantêm, vida fora, medrosos ou, pelo menos, cuidadosos e em estado de alerta.

3 Dos anos mais marcantes do nosso desenvolvimento guardamos a desagradável sensação de pequenez, insignificância ou desamparo, que gerimos como pudemos. A forma mais estruturada e antiga de lidar com o que desconhecemos tem sido a posse de sistemas de crenças colectivas que, no limite, têm uma resposta, mesmo que bizarra, atabalhoada ou alheia a qualquer princípio de lógica formal que gostamos de dizer que privilegiamos.

4 Durante muitos séculos, esses sistemas de crenças partilhados foram os grandes organizadores da vida em sociedade, já que, ao possuírem corpos de funcionários dedicados e regras estritas de funcionamento individual, se inscreviam na matriz cultural de todos os indivíduos. Se em muitos locais do mundo isto continua a ser assim, no mundo ocidentalizado, individualista e liberal, criaram-se as boas condições para a emergência sazonal de novas fés e outras crenças centradas sobre aquilo que, em cada momento, se vai constituindo como objectos ajustados ao que vamos sendo.

5 É por aqui que entra em acção o marketing, que difunde crenças e planetariza ideias que, mesmo por um espaço de tempo curto, nos ajudam a ficarmos prenhes de sentidos. Sentidos que cobrem vazios inquietantes ou facilitam mais uma temporada de algum conforto, na convicção de que sabemos quem somos, de onde vimos e para onde vamos.

Mesmo que pareça tosco, é assim que somos e assim que funcionamos.